terça-feira, 27 de junho de 2017

Você sabe para quem doar sangue ou de quem você pode receber?

O sangue é um líquido viscoso composto por células e diversos tipos de micro e macromoléculas. O sangue é, sem dúvidas, o transporte para a grande maioria dos nutrientes e oxigênio que o nosso corpo necessita, assim como é um meio de saída dos produtos indesejáveis excretados pelas nossas células. Dentre os principais compostos do nossos sangue  nós temos a glicose e o oxigênio, que são essenciais para o metabolismo celular, as partículas de triglicerídios, colesterol, as hemácias, o fibrinogênio, a água e as nossas células de defesa. Se a nossa circulação parasse subitamente, todo o nosso corpo iria à falência por falta de nutrientes, afetando principalmente os órgãos que mais dependem do fluxo sanguíneo como o coração, cérebro, fígado e rins.

As nossas hemácias compõe o mais numeroso grupo de células do nosso sangue e tem como função o transporte de oxigênio para os tecidos, regulação do pH e controle da pressão sanguínea. E são essas células as determinantes quando o assunto é doação de sangue. Cada hemácia possui um grupo de antígenos do conjunto ABO e Rh. As nossas células de defesa apenas reconhecem as hemácias com antígenos iguais as do hospedeiro. Ou seja, se uma hemácia tem o antígeno A, as nossas células de defesa só reconhecerão outra com o mesmo antígeno A.

Mas o que acontece se o sangue é doado entre duas pessoas com tipos sanguíneos diferentes? Se uma pessoa com o tipo A+ resolve doar para alguém do tipo B+,  as células de defesa do organismo - mediadas principalmente pela excreção anticorpos - irão atacar as hemácias com o tipo sanguíneo estranho, sendo representadas, neste exemplo, pelo tipo A+ que é estranho ao individuo do tipo B+. Quando as hemácias são atacadas, elas são hemolisadas (destruídas) em massa, acarretando em perda do transporte de oxigênio, vasodilatação generalizada com queda de pressão, urina escura devido a excreção em massa da hemoglobina das hemácias, febre, mal-estar, insuficiência renal, taquicardia e entupimento súbito de vasos que podem acarretar em morte.


Grupos sanguíneos

  • Tipo O negativo: esse tipo sanguíneo não tem nenhum antígeno em suas hemácias, nem do sistema ABO e nem do Rh, sendo considerado o tipo sanguíneo universal, podendo ser doado para pessoas de todos os tipos, pois nunca serão reconhecidos como estranhos ao organismo de quem quer que seja. Mas, esse tipo sanguíneo é o pior de todos para receber sangue, pois o sangue de quem tem O- não reconhece o antígeno de nenhum outro tipo sanguíneo, fazendo com que ele só receba de outro O negativo.
  • Tipo O positivo: esse tipo sanguíneo é considerado "semi-universal", pois ele pode ser doado para todos os tipos sanguíneos que são Rh+ (A+, B+, AB+ e O+). Apenas o próprio tipo O+ e o O- podem ser doados para pessoas com esse tipo sanguíneo, fazendo dele o segundo pior tipo sanguíneo para se receber transfusões.
  • Tipo A negativo: ele poderá ser doado apenas para aqueles que possuem o antígeno A e para ambos os fatores de Rh, tais como o A-, AB-, A+ e AB+. Contudo, quem tem o tipo sanguíneo A- só pode receber de A- e O-, sendo tão pior quanto o O+ para receber transfusões de sangue. 
  • Tipo A positivo: ele pode ser doado para A+ e AB+, podendo receber transfusões de O-, A-, A+ e O+
  • Tipo B negativo: ele pode ser doado para todos os tipos B e AB, independente do fator de Rh. Ou seja, para B+, AB+, B- e AB-, enquanto que recebe apenas de O- e B-, sendo um outro tipo sanguíneo com limitada cobertura para receber transfusões. 
  • Tipo B positivo: pode doar apenas para B+ e AB+. Ele pode receber transfusões de O-, O+, B+ e B-.
  • Tipo AB negativo: esse só pode ser doado para o grupo AB, seja Rh positivo ou negativo (AB+ e AB-). Como receptor, esse tipo sanguíneo pode receber de todos os sangues Rh+, ou seja, do O+, A+, B+ e AB+, sendo o segundo melhor tipo sanguíneo receptor.
  • Tipo AB positivo: esse apenas pode doar para quem é AB+, ou seja, é um péssimo doador. Porém, ele pode receber de todos os tipos sanguíneos, sendo o melhor receptor. 


Na tabela abaixo nós temos um resumo da compatibilidade sanguínea.




Fator Rh e gravidez

Outro fator importante é o Rh durante a gravidez. Mulheres que são Rh negativas podem ser reativas aos seus filhos quando estes são Rh positivos. Isso porque a mãe Rh negativa não reconhece o antígeno Rh positivo do filho, fazendo com que as suas células de defesa tentem atacar o feto.

Esse problema não é registrado durante a primeira gestação, onde a gravidez de uma mãe negativa com o seu feto positivo não acarretará em problemas. Mas durante o parto, o sangue do bebê se misturar ao materno, fazendo com que as células de defesa da mãe se tornem sensibilizadas e prontas para reagir à uma próxima gravidez (segundo filho). Se ela não tomar a vacina anti-Rh em até no máximo 72 horas após o parto, o segundo filho poderá sofrer uma ataque mediado por anticorpos maternos durante o seu nascimento, causando a chamada eritroblastose fetal, que é a destruição das hemácias do recém-nascido, sendo fatal na maioria das vezes.

Geneticamente, se um paí é Rh negativo e a mãe também o é, o filho será negativo também. Se o pai e a mãe forem positivos, o filho também nascerá positivo.

Em pais com o Rh divergente, onde o pai é negativo e a mãe é positiva, o filho nascerá ou com o negativo ou positivo, não havendo problemas.  Mas se o pai é negativo e a mãe positiva, o filho poderá nascer positivo (o que não reagiria) ou negativo (causando a reação).



Para descobrir o seu tipo anguíneo e o seu fator de Rh, basta ir em qualquer laboratório solicitando o exame de tipagem sanguínea, que é rápido e só utiliza uma única gota de sangue, custando entre R$ 3,00 - 10,00.


terça-feira, 20 de junho de 2017

Quais os riscos de se usar anabolizantes?

Ter um corpo ideal é algo constantemente imposto pela sociedade. Desde sempre, ter um corpo bonito sempre esteve à frente da saúde, e querendo ou não, a grande maioria das pessoas não vão para academia procurando um estilo de vida mais saudável, e sim ter um corpo atraente e bonito à qualquer preço.

Uma infinidade de suplementos e energéticos parecem não satisfazerem uma crescente população que procura as academias e querem atingir o corpo ideal pelo menor tempo e esforço possível. Os anabolizantes entram nessa história ao promoverem um verdadeiro sonho: um corpo bem trabalhado em pouco tempo. Porém, eles impõe um preço que às vezes não vale à pena.

Nos Estados Unidos há um controle rígido da venda de anabolizantes, assim como há no Brasil. Porém em ambos os países é fácil conseguir hormônios que promovem o crescimento da massa muscular. Se uma empresa americana não pode vender um anabolizante dentro do país porque ele é proibido, ela o fará vendendo para outros países como o Brasil, já que isso não fere a legislação americana. Ele poderá ser obtido facilmente via internet por qualquer brasileiro. Nos EUA todos os anabolizantes devem ser prescritos por um médico após sublinhada necessidade por parte do paciente. Aqueles que obtém os anabolizantes de forma ilegal, os conseguem por meio da internet, onde a maioria dos hormônios vem da Rússia e de alguns países da Europa oriental, como a Bulgária. Outros meios incluem extravios em hospitais e a obtenção de receitas com amigos médicos. O Brasil copia todas as táticas que os americanos, e os hormônios ilegais são obtidos principalmente dos EUA  e da Rússia.




  • Anabolizantes designers (designer steroids)

Uma prática perigosa tem crescido nos EUA e no Brasil, onde os chamados anabolizantes designers estão sendo incorporados indiscriminadamente em suplementos afim de promoverem o crescimento muscular de forma ilegal. Um anabolizante designer é uma substancia derivada de outro anabolizante que foi pesquisado e desenvolvido por laboratórios de diversas partes do mundo, porém a sua pesquisa foi abandona por motivos de toxicidade, desinteresse ou queda no investimento de pesquisa. Essas substancias não são proibidas porque a maioria das agências reguladoras nem ao menos sabem da existência delas para poderem proibi-las, então por esse motivo muitas indústrias as utilizam porque elas configuram como "legais" já que não houve nenhuma sanção contra elas. Geralmente essas substancias vieram de antigos laboratórios da Itália, Alemanha Oriental ou União Soviética. Essas substâncias continuam como "legalizadas" até que alguma agência reguladora proíba o seu uso. 

As substâncias mais utilizadas são: methoxygonadiene, dimethazina, methylclostebol, mentabolan, methylepitiostanol e methylstenbolone. Essas substâncias jamais passaram por testes clínicos e até mesmo são apenas utilizadas em animais. Há nenhuma aplicação terapêutica ou recomendação para o uso das mesmas. Então, se você utiliza quaisquer suplementos contendo essas substâncias, encerre o uso, pois os danos são nefastos e a maioria deles ainda são desconhecidos.

  • Anabolizantes legalizados

Os anabolizantes podem ser utilizados terapeuticamente para uma infinidade de doenças, desde que estejam sob prescrição médica. Hipogonadismo, emagrecimento repentino provocado pelo HIV, utilização em pacientes com queimaduras graves e indivíduos com sarcopenia.

Em pacientes com hipogonadismo, ou seja com baixos níveis de testosterona, o papel dos anabolizantes é o de completar o amadurecimento sexual, com o engrossamento da voz, aparecimentos de pelos, ganho de massa muscular, desenvolvimento genital e dentre outros. Em pacientes com alta demanda metabólica, como daqueles que sofreram graves queimaduras, os anabolizantes ajuda o organismo a evitar a degradação do músculo com o intuito de utilizar os seus componentes para repor a pele. No paciente com emagrecimento súbito com HIV o hormônio ajuda a evitar a perda de massa muscular e a promover o seu ganho. Nos pacientes com sarcopenia (fraqueza muscular provocada pela velhice) o anabolizante auxilia no ganho de tônus e diâmetro das fibras musculares.

Todos o tratamento deve ser prescrito por um médico que fornecerá o hormônio por meio de ciclos de aplicação. O uso de anabolizantes é seguro em até um 1 ano de terapia, sendo que após esse período iniciam-se os efeitos indesejáveis do anabolizante. Apenas o hipogonadismo pode ser tratado por um período de tempo indefinido.

Os anabolizantes geralmente tem efeitos de curto e longo prazo, que deverão ser pesados conforme as propriedades farmacológicas de cada um. Existem três classes de anabolizantes, que serão descritas a seguir.

Vale lembrar que a maioria dos efeitos adversos indesejáveis dos anabolizantes vem dos efeitos masculinizantes que são diidrotestosterona-like.

Derivados da testosterona: são um conjunto de anabolizantes que tem ações iguais as da testosterona, ou seja, eles tem tanto ação anabólica (de crescimento muscular) como andrógena (masculinização), sendo substrato das enzimas 5-alfa-redutase, produzindo substancias similares a diidrotestosterona, o principal hormônio responsável pelas características masculinizantes, e eles são também substrato da enzima aromatase, localizada principalmente no tecido adiposo, produzindo os indesejáveis estrógenos. Eles são administrados por via oral, diferentemente dos outros que são por via injetável. Mas todos os que são administrados por via oral são também aquilados no carbono 17, provocando dessa forma um significativo dano hepático, que às vezes pode ser fatal. A metiltestosterona, fluoximesterona e metandrostenolona são os principais exemplos dessa classe.

Derivados da nandrolona: são um conjunto de anabolizantes com poucos efeitos masculinizantes, tendendo mais a terem efeitos anabólicos, ou seja, do crescimento do músculo. São mais bem tolerados e possuem bem menos efeitos adversos se comparado com outras classes. A nandrolona é o principal representante dessa classe, sendo o anabolizante ilegal mais utilizado ao redor do mundo devido aos poucos efeitos adversos, pouca masculinização e maior tolerância. Trembolona é outro representante, porém não é tão eficaz quanto a nandrolona no que diz respeito aos efeitos anabólicos. Eles não causam efeito tóxico ao figado por não serem alquilados no C-17.

Derivados da diidrotestosterona: são os anabolizantes com maior efeito anabólico e com certo efeito andrógeno, e eles se assemelham ao hormônio diidrotestosterona, o que impossibilita a sua conversão em estrógenos. A oxandrolona é o principal representante, onde ela não sofre metabolização pela aromatase e tem poucos efeitos masculinizantes (androgênico), sendo um ótimo hormônio anabólico. O estanozolol é um outro representante da classe. A oximetolona, outro fármaco dessa classe, é tido como carcinogênico.

Efeitos de curto prazo.

No curto prazo todas as três classes de anabolizantes tem os mesmo efeitos, variando apenas na potência dos mesmos. O efeito anabólico é similar em todos. Com a masculinização sofrendo variações, onde o aparecimento de pelos em regiões que antes não haviam, aumento do apetite sexual e aumento da raiva são os efeitos masculinizantes de curto prazo visto em homens e em mulheres. Nas mulheres, em particular, nós temos o engrossamento da voz e o parecimento de barba, além de acne nas costas e ao redor do peito, bem como no rosto. Os efeitos masculinizantes são vistos principalmente nos derivados da testosterona, sendo os menores possíveis com os derivados da nandrolona. 

Efeitos de longo prazo.

No longo prazo os efeitos são mais severos, principalmente se não há acompanhamento médico. Esses efeitos são mais classe-dependente. 

  • Dano hepático: ele é comum à todos os anabolizantes alquilados na posição C-17, ou seja, todas aqueles que podem ser ingeridos via oral. A oxandrolona é o que tem menos efeitos hepatotóxicos, sendo o seu uso considerado seguro, mas isso não dispensa uma observação clínica mais de perto. Já os outros fármacos alquilados podem provocar dano hepático mais sério, porém reversível. Os efeitos são mais nefastos quando são usados anabolizantes como a metiltestosterona e a oximetolona que são carcinogênicos e são associados à carcinomas hepatocelulares. O risco é tempo-dependente, ou seja, por quanto mais tempo se usar, maior será a probabilidade de adquiri-los. 


  • Infarto: esse é comum a todos os anabolizantes. Tendo em vista que o coração é um músculo, todos os anabolizantes tem a capacidade de fazê-lo crescer à longo prazo. O efeito é mais pronunciado naqueles que são mais fortemente anabolizantes, como a nandrolona e a oxandrolona. Esse efeito é tempo-dependente.


  • Trombose: os anabolizantes tem a capacidade de aumentar a agregação plaquetária e de diminuírem o HDL (colesterol bom) enquanto aumentam os níveis de LDL (colesterol ruim), promovendo a formação de trombos e placas de gordura nas artérias podendo provocar infartos e derrames. 


  • Insuficiência renal: ela só aparece como resultado do crescimento do coração. Quando o coração encontra-se crescido e com pouca força de contração (a chamada insuficiência cardíaca crônica) menos sangue é enviado para os rins, acarretando em insuficiência renal crônica, que no longo prazo pode ser fatal e pode exigir um transplante renal e cardíaco ao mesmo tempo.


  • Hipogonadismo: é um quadro clínico acompanhado por baixa produção endógena de testosterona, acarretando em atrofia dos testículos, depressão, calvice, infertilidade, retensão de líquidos, hipertensão devido a retenção de sódio, crises de raiva e ansiedade, osteoporose e diminuição do libido. Na maioria dos casos ela é reversível, porém em alguns ela pode se tornar cronica e irreversível. Em mulheres o excesso de anabolizantes pode provocar um crescimento exagerado do clítoris, que pode triplicar de tamanho, chegando a medir 7 cm. O crescimento clitoriano é irreversível na maioria dos casos e o clítoris avantajado pode danificar as vias nervosas responsáveis pelo prazer devido ao esmagamento dessas fibras pelo tamanho exagerado. Os derivados da testosterona são os que mais causam esses efeitos adversos, devidos as suas propriedades altamente masculinizantes (andrógenas).


  • Ginecomastia: é o crescimento das mamas provocado pelo excesso de estrógenos produzidos pela conversão dos anabolizantes pela enzima aromatase. Esse efeito é muito pronunciado nos derivados da testosterona, sendo pequeno nos derivados na nandrolona e ausente nos derivados da diidrotestosterona. Esse efeito pode ser irreversível em alguns homens. 

Minoxidil é eficiente nas "entradas" da calvice?

A calvice é um problema que incomoda muitos homens e até mesmo algumas mulheres. Mesmo não sendo um acometimento grave, ela tem profundas influências no quesito emocional, de bem-estar e social, levando milhões de homens ao redor do mundo a procurarem alternativas para reverter a calvice, e, quem sabe, preveni-la. A maior parte dos homens e mulheres calvos ao redor do mundo vem de causa hereditária, sendo uma minoria deles derivados do uso de substâncias tóxicas nos cabelos, doenças específicas, tais como certos tipos de cânceres ou a inalação e/ou ingestão de tóxicos.

A industria farmacêutica tem investido bilhões de dólares a cada ano buscando a cura para a calvice, ou mesmo a produção de medicamentos mais eficientes no seu combate, porém os resultados tem se demonstrado insatisfatórios dado ao montante investido.


  • Componente hereditário.

A calvice é geneticamente dominante nos homens e nas mulheres, sendo que em homens ela dominante homozigota e heterozigota, enquanto que nas mulheres ela é dominante homozigota, apenas. Isso quer dizer que, homens com o alelo CC e Cc são calvos por terem o alelo dominante representado pelo "C" maiúsculo, enquanto que as mulheres serão calvas apenas se elas tiverem ambos os alelos dominantes, ou seja, "CC".

Então, se um homem e uma mulher são calvos, eles sempre terão um filho homem calvo (100%) e grandes chances de terem uma filha calva também (75% de chance).

Se a mãe for calva e o pai não, todos os filhos homens serão calvos (100%) e nenhuma filha será calva (0%),

Se o pai for calvo e a mãe não for calva, grande parte dos filhos homens (75%) e a minoria das filhas (18,75%) serão calvos. 

Se nem o pai e nem a mãe são calvos, uma pequena parte dos filhos homens (25%) e nenhuma mulher (0%) serão calvos. 

Veja a tabela abaixo a combinação dos alelos da calvice:



Quando se trata de calvice, as chamadas "entradinhas" (formalmente chamada de calvice frontal) são as que mais incomodam, principalmente os jovens entre 18-26 anos. Elas sem dúvidas são o primeiro sinal de calvice, mas também podem estar relacionadas ao formado da cobertura capilar mais do que a calvice propriamente dita. Porém, da mesma forma, ela incomodam muito. Infelizmente o arsenal  terapêutico para o tratamento da calvice é escasso, mesmo com avanço em pesquisas e a disponibilidade de diversos produtos que prometem reverter a miniaturização e queda dos fios. Para se ter uma ideia, o FDA, a agência americana que regula a venda de medicamentos no EUA, aprovou apenas o minoxidil e a finasterida como medicamentos realmente eficazes no tratamento da calvice, sendo o mesmo adotado pela agência nacional, a ANVISA. Outros medicamentos comercializados para essa finalidade podem também ser eficazes, de fato, porém eles precisam passar por mais estudos clínicos de eficácia e toxicidade.

O minoxidil é uma das ferramentas mais utilizadas no combate da calvice em todo o mundo, sendo indicado principalmente para calvice na região superior parietal, que é onde está localizado a parte superior da nossa cabeça. Esse medicamento foi aprovado pelo FDA apenas em 1998, sendo utilizado para a mesma finalidade muito antes da aprovação final pela agência reguladora americana.

Curiosamente, há diferenças enormes entre os folículos capilares espalhados ao redor da nossa cabeça, sendo o folículos capilares das regiões occipital e parietal lateral os menos susceptíveis à calvice, ou seja, os cabelos atrás e nas laterais dificilmente irão sofrer os efeitos nefastos da testosterona. Isso porque essas regiões tem poucas enzimas para a conversão da testosterona em diidrotestosterona, o hormônio chave na indução da calvice.

Nas áreas já calvas, ou com tendências a serem calvas, há diferenças bioquímicas importantes, onde as chamadas "entradas" respondem menos ao minoxidil do que a região superior da cabeça (o vértice da cabeça). Muitos estipulam que o componente que causa a calvice nas entradas (região frontal) está mais relacionando a um componente inflamatório crônico, onde as prostaglandinas exercem um papel crucial, diferentemente das outras áreas calvas. Com isso, a atuação do minoxidil é diminuída nessas áreas, porém não é ausente. Foi constatado que o minoxidil faz crescer pelos nessa região, porém de forma mais demorada e menos eficiente se comparada com a região do vértice calvo.

Até o momento, apenas a finasterida se mostrou eficiente para tratar a região das entradas da calvice nos homens por meio do bloqueio da enzima 5-alfa redutase do tipo 2, impedindo a conversão da testosterona em direção a temida diidrotestosterona.

Padrão de calvice masculino: o vértice do crânio e a fronte dele são as áreas mais afetadas.





segunda-feira, 19 de junho de 2017

Você sabia que todo medicamento tem um preço máximo?

Sem a menor sombra de dúvidas os medicamentos transformaram-se em uma ferramenta onipresente no tratamento de diversas doenças, sendo também uma alternativa válida e menos invasiva aos tratamentos cirúrgicos. Houve um verdadeiro "boom" na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos desde o fim da segunda guerra mundial. Só para se ter uma ideia desse crescimento, basta ter em mente que há mais de 10.000 fármacos (medicamentos) vendidos ao redor do mundo objetivando tratar os mais diversos tipos de doenças.

Uma ferramenta tão crucial para o tratamento - ou mesmo a prevenção - de doenças pode sofrer um controle abusivo dos preços por parte da indústria e das farmácias comerciais, que podem estipularem preços mais elevados propositalmente, pois sabem que qualquer medicamento é essencial quando se trata de saúde e que, dependendo do caso, um determinado paciente é capaz de tudo para obtê-lo, nem que seja pra pagar bem mais caro para consegui-lo. Foi pensando nesse carácter abusivo que muitas farmácias vinham adotando em relação ao preço, que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estipulou um preço máximo que deve ser taxado ao consumidor, e se uma farmácia não obedece o preço máximo estipulado, ela poderá sofrer sanções e processos judiciais. 

Para acessar a tabela de preços máximos da ANVISA basta clicar aqui: http://portal.anvisa.gov.br/listas-de-precos

Após a página carregar na sua tela vai ter a seção "1) Preço de medicamentos (Preço de fábrica e preço máximo ao consumidor)". Logo abaixo desse tópico haverá o nome "PDF", o qual possui a lista de todos os medicamentos vendidos no Brasil e os seus respectivos preços máximos repassados ao consumidor. Você pode ver também a última data de atualização do sistema e a categoria "anos anteriores" para que você acompanhe a evolução dos preços ao longo dos anos.

Veja como funciona na imagem abaixo: 

Na imagem temos a lista completa (PDF ou em XLS) e a última atualização, que foi em 22/05/2017, que será válida até uma próxima atualização do sistema pela ANVISA.

Aqui nós utilizaremos o preço de dois medicamentos bem conhecidos: o paracetamol e o minoxidil solução capilar.


Como primeiro exemplo nós utilizaremos o Paracetamol solução oral, um dos anti-inflamatórios mais vendidos do Brasil e do mundo.

Na primeira tabela temos o nome do medicamento e o laboratório o qual produz, juntamente com o seu número de registro na ANVISA.
Na segunda parte nós temos a sua dosagem e forma farmacêutica, que no caso é 200 mg/ml em um frasco de 15 ml.


Nessa tabela nos temos o preço máximo ao consumido (PMC) em verde com base no ICMS pago por cada farmácia. Se uma farmácia paga 0% de ICMS, ele deverá vender o paracetamol 200 mg/ml frasco de 15 mL por no máximo R$ 6,47, enquanto que uma farmácia que paga 20% poderá vendê-lo por no máximo R$ 8,27


Para o próximo exemplo usaremos o Minoxidil solução capilar, cujo nome comercial é Aloxidil. Para quem não o conhece, ele é uma das principais, se não a principal juntamente com a finasterida, substâncias utilizadas para o tratamento da calvice masculina.




Aqui nós podemos analisar que o Aloxidil solução capilar de 50 mg/ml em frasco de 50 ml deverá ser vendido por no máximo R$ 136,82 nas farmácias que pagam 0% de ICMS e por no máximo R$ 175,04 em farmácias pagando 20% de ICMS.

Essa tabela de valores é sempre atualizada pela ANVISA, sendo válida a última atualização da mesma. O ICMS é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, e varia de farmácia pra farmácia. Farmácias com redes pequenas geralmente pagam pequenas taxas de ICMS, onde aquelas unitárias, geralmente um negócio próprio, são isentas. As grandes farmácias pagam alíquotas maiores de ICMS e portanto sempre terão os medicamentos mais caros. Se você foi até alguma farmácia e achou o preço abusivo, você poderá perguntar o quanto de ICMS a farmácia pagar e comparar com a tabela de preços da ANVISA.

Obs.: nas seções que tem "liberado" significa que um preço máximo ainda não foi estipulado.